“Nuestro objetivo final es nada menos que lograr la integración del cine latinoamericano. Así de simple, y así de desmesurado”.
Gabriel García Márquez
Presidente (1927-2014)

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  • O Céu de Suely
    Por Lucas Murari

    Um dos melhores filmes brasileiros de 2006. Embora mal lançado nos cinemas, vale ser conferido agora nas locadoras. 
     
    Quando todos pensavam que o cinema nacional havia encerrado o ano de 2006 com chave de ouro com o belo O Ano em Que Meus País Saíram de Férias de Cao Hamburguer, surge Karim Ainouz com seu mais novo filme, O Céu de Suely. O diretor cearense já havia mostrado toda sua habilidade com o perturbado Madame Satã (2001) e já no seu segundo longa-metragem consagra-se de vez como um dos grandes nomes da retomada.

    O Céu de Suely inicia com a atriz principal Hermila e seu namorado dançando, contentes da vida com as novidades. Esta cena filmada em super-8 e narrada em off se opõe completamente à verdadeira realidade do filme. Hermila está grávida e o casal habita em São Paulo. A situação por lá está cada vez mais complicada, possuem uma boa vida porém difícil, o custo da cidade é muito alto. Hermila retorna à sua cidade natal, Iguatu, juntamente com seu filho Mateuzinho, temporariamente mora com sua avó (Zezita) e sua tia (Maria). Aguarda ansiosamente a chegada de seu companheiro que ficou em São Paulo resolvendo assuntos pendentes. 
     
    Iguatu não é bem visto aos olhos da atriz, seu filho estranha o calor nordestino e a vó da atriz não aprova o seu retorno. Seus planos são de que, quando seu amado se juntar a ela, abrirem uma barraquinha no centro da pequena cidade e vender produtos piratas (CDs, DVDs). Enquanto isso não acontece, Hermila faz bicos pela cidade, vendendo rifas e com isso consegue um pouco de dinheiro. Com o decorrer do tempo a paciência com a cidade e com a volta de seu namorado atormentam a atriz. Ela não suporta mais a pequena cidade do interior cearense e quer ir embora dali, no entanto a profissão de mãe tem um preço e o deslocamento que ela necessitará custa caro.

    Seu namorado não chega e ela fica impaciente, resolve tomar uma atitude, vai se mudar da cidade e ir para o mais longe possível. Para resolver o problema do dinheiro fará algo totalmente original. Ela rifará a si mesma, isto é promete ao ganhador uma noite no paraíso aos deleites amorosos com a bela atriz. Seu nome de guerra se torna Suely e aos poucos o céu vai mudando. A cidade desaba, sua família é completamente oposta a decisão de Hermila, a vizinhança comenta, ela é expulsa de casa e vai morar com sua amiga prostituta.

    O belo filme mostra algumas realidades brasileiras, a atual falsa esperança com o êxodo rural, trabalhos ilegais como formas de vida (pirataria, prostituição), gravidez precoce. Um olhar feminista, de uma sonhadora que sofre com as conseqüências do machismo exacerbado da sociedade contemporânea. Segundo Suely ela não se tornará uma garota de programa, pois estas “trepam com todo mundo enquanto ela apenas com um cara”, uma frase que ajuda muito a entender o pensamento da personagem. Hermila, vinte e um anos, com um filho e muita vontade de viver, essa é nossa atriz que ao final com o ganhador da rifa não consegue aderir ao personagem de Suely, a prostituta.
     
    Uma forte característica dada desde o nome do filme é a utilização do céu como elemento crucial para o entendimento da obra. Um recurso muito bem utilizado que com o decorrer do filme adapta-se ao psicológico da atriz. Outro fator importante é o nome dos atores, que na ficção possuem o mesmo da vida real.
     
    Filme ganhador de diversos prêmios, um dos melhores brasileiros de 2006, excelente direção Karim Ainouz e com uma fotografia marcante de Walter Carvalho. Ótima atuação de Hermila Guedes em sua estréia como protagonista, a atriz já havia deixado sua marca em 2005 com Cinema, Aspirinas e Urubus e dessa vez conquistou definitivamente seu espaço. Infelizmente O Céu de Suely foi mal divulgado e distribuído pelo Brasil, porém vem sendo muito bem visto e elogiado mundo afora.



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