“Nuestro objetivo final es nada menos que lograr la integración del cine latinoamericano. Así de simple, y así de desmesurado”.
Gabriel García Márquez
Presidente (1927-2014)

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  • Actriz brasileña Gloria Pires celebra 40 años en el cine con nuevo largo de Hsu Chien Hsin
    Por (Texto disponible en español y portugués)

    Previsto para llegar a las pantallas en junio de 2022, el largometraje “Desapega!”, del cineasta chino-brasileño Hsu Chien Hsin, en la recta final de filmación, se estrenará en medio de una efeméride singular, la celebración de los 40 años de la carrera cinematográfica de la actriz brasileña Gloria Pires.

    En mayo de 1982, la Quincena de los Realizadores del Festival de Cannes exhibió el primer trabajó que reveló una actriz que hoy cuenta con 58 años. El filme fue “Índia, a Filha do Sol”, de Fábio Barreto. Por entonces, ya era conocida en la televisión, donde comenzó a los 5 años, en “A Pequena Órfã”, de la cadena de televisión Excelsior.

    "En los años 1980, hice una telenovela con Lauro Corona, llamada “El Derecho de Amar”. Ya era madre, había hecho cine y había realizado varios trabajos de tele dramaturgia. Recuerdo que, allí, fue la primera vez en que pisé un set de televisión y me dije: “Esto es un respiro”. En el cine, no sé si sentí alguna vez algo así. Comencé en una época en que esperábamos días para ver las escenas rodadas, teníamos que esperar por las primeras copias. Había un misterio", dice Gloria a Estadão, en medio del set en Barra da Tijuca que sirve de hogar a Rita, personaje de “Desapega!” - proyecto en el que trabaja también como productora y donde por primera vez en su carrera tiene que evaluar un guion.

    Dos años después de "India, hija del Sol" Pires volvió a Cannes con “Memórias de La cárcel, que le valió a Nelson Pereira dos Santos el premio da la Federación Internacional de la Prensa Cinematográfica (Fipresci) en 1984. Después llegaron Bésame Mucho (1987) y “Jorge, um Brasileiro” (1989), lanzada después del acontecimiento que constituyó su interpretación de María de Fátima en la novela “Vale Todo” (1988). También bajo la dirección de Fábio Barreto, representó al país en la disputa por el Oscar, con “O Quatrilho”, en 1996, e interpretó a Lindu en “Lula, o Filho do Brasil” de 2009. Ese mismo año, arrebató al Festival de Brasília  con “Proibido Fumar”, de Anna Muylaert, recibió los elogios de la Berlinale por “Flores Raras” (2013); hace dos meses, se llevó el Kikito de Mejor interpretación femenina en Gramado por el policial “A Suspeita”.

    A inicio de año, Bruno Barreto, en entrevista a Estadão, dijo que su nuevo filme, “Vovó Ninja”, una aventura familiar con Gloria Pires en el papel central, podría incluir a la actriz como guionista. "Ella ofreció varias ideas durante la etapa de lectura. Es una actriz inmensa, una de las más talentosas del mundo", afirma Bruno; un testimonio que también suscribe Hsu Chien. "Gloria es una actriz que crea escenas, que hace propuestas y nos ayudó a encontrar un tipo de humor realista", afirma el cineasta, quien destaca la vasta experiencia de esta estrella frente a las cámaras como uno de los motores de su creatividad.

    "Siempre encuentro en el cine algo profundo, que su tiempo de proceso permite alcanzar. La telenovela es mi base, pues quien cumple con la agilidad que la televisión demanda es capaz de hacer de todo. Pero el cine aporta algo diferente, esa convivencia intensa de 12 horas de trabajo cada día, durante cuatro semanas, que permite un mayor aproximación al equipo y una mayor profundidad", afirma Pires, vestida con un quimono para su personaje de Rita, que en “Desapega!”, comienza a enfrentar su comportamiento compulsivo en medio del síndrome del nido vacío, luego de la partida de su hija, Duda, interpretada por Maisa.

    "Cuando supe que tendría a Gloria en el filme, me puse muy contento por la oportunidad de poder dirigir una actriz que le habla a Brasil sobre Brasil. Una artista que le inyecta delicadeza a los gestos más cotidianos” afirma el director Hsu Chien, realizador de “Ninguém Entra, Ninguém Sai” y de “Quem Vai Ficar Com Mario”, uno de los filmes brasileños más vistos del 2021.

    Producida por Patricia Chamon, “Despega!” posee una línea narrativa punteada por el humor. “En momentos de crisis, un respiro es siempre importante. La comedia es siempre una manera eficaz de compartir un mensaje, que aquí es de cariño, de maternidad, de afecto”, apunta Pires.

    * Texto editado y traducido por Fidel Jesús Quirós
    Gloria Pires comemora 40 anos de cinema com novo longa de Hsu Chien Hsin
    By (Texto disponible en español y portugués)

    Previsto para chegar às telas em junho de 2022, o longa Desapega!, do cineasta sino-brasileiro Hsu Chien Hsin, já em sua reta final de filmagem, vai estrear em meio a uma efeméride singular na trajetória de Gloria Pires, protagonista da trama ao lado de Maisa: na data, ela celebra 40 anos de cinema.
    Divulgação

    Em maio de 1982, a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes exibiu o trabalho que revelou a atriz que hoje está com 58 anos: Índia, a Filha do Sol, de Fábio Barreto. À época, ela já era conhecida na TV, onde começou aos 5 anos, em A Pequena Órfã, da Excelsior.

    "Eu fiz uma novela nos anos 1980, com o Lauro Corona, chamada Direito de Amar. Eu já era mãe, tinha feito filme, tinha vários trabalhos na teledramaturgia. Mas lembro que, ali, foi a primeira vez em que pisei em um set de televisão e senti: ‘Agora eu estou conseguindo respirar’. No cinema, não sei se houve esse momento. Comecei em uma época em que esperávamos dias para ver a cena rodada de um filme, esperando as primeiras cópias. Havia um mistério", diz Gloria ao Estadão, em um set na Barra da Tijuca que serve de lar para Rita, personagem de Desapega! - projeto em que atua também como produtora e em uma função inédita em sua carreira: a de opinar sobre o roteiro.

    "Pela vivência que tenho, é importante colaborar com aquilo que se diz em uma história, como, onde e quando se fala. Respeito muito quem escreve. Meu cuidado é mais colaborar para a busca por mais impacto. Não sei se eu teria capacidade de escrever um filme do zero, mas é importante estar perto de quem me dirige", comenta.

    No início do ano, Bruno Barreto, em entrevista ao Estadão, falou que seu novo filme, Vovó Ninja, aventura familiar que tem Gloria no papel central, poderia perfeitamente trazer o nome da atriz entre os créditos de roteiristas. "Ela deu várias ideias nas leituras. É uma atriz imensa, uma das mais talentosas do mundo", disse Bruno, depoimento no qual Hsu Chien assina embaixo. "Gloria é uma atriz que cria cenas, que propõe e ajuda a encontrar um tipo de humor realista", diz o cineasta, que destaca a vasta experiência de sua estrela à frente das câmeras como um dos motores de sua invenção.

    Dois anos depois da passagem de Índia, a Filha do Sol por Cannes Gloria voltou com Memórias do Cárcere, que deu a Nelson Pereira dos Santos o prêmio da Federação de Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci) em 1984. Depois vieram Besame Mucho (1987) e Jorge, um Brasileiro (1989), lançado logo após o fenômeno que foi sua interpretação como Maria de Fátima na novela Vale Tudo (1988).

    "Logo que comecei, tive Lucy Barreto ao meu lado, já no set de Índia. É uma produtora fabulosa, inteligente. Aliás, é muito bom ver mulheres assumindo novos postos na sociedade, ocupando espaços, em uma potente mudança cultural", diz Gloria, que trabalhou com Lucy e a família Barreto em projetos cruciais para sua trajetória.

    Ainda sob a direção de Fábio Barreto, ela representou o País na disputa pelo Oscar, com O Quatrilho, em 1996, e ainda viveu dona Lindu em Lula, o Filho do Brasil (2009). Depois, Gloria passeou por blockbusters que redefiniram as bilheterias da indústria audiovisual - como a franquia Se Eu Fosse Você, de Daniel Filho, considerada um pilar da neochanchada -, arrebatou o Festival de Brasília de 2009 com Proibido Fumar, de Anna Muylaert. Colheu elogios na Berlinale por Flores Raras (2013), e, há dois meses, levou o Kikito de melhor interpretação feminina de Gramado pelo policial A Suspeita.

    "Sempre encontro no cinema algo de profundo, que o tempo do processo permite alcançar. Novela é a minha base, pois quem faz, com toda a agilidade que a TV exige, é capaz de fazer tudo. Mas o cinema traz algo diferente, uma convivência intensa, de 12 horas de trabalho por dia, em quatro semanas, o que oferece a chance de uma maior proximidade com a equipe e de um maior aprofundamento", diz Gloria, vestida como um quimono de Rita que em Desapega!, começa a enfrentar seu comportamento compulsivo em meio a uma síndrome de ninho vazio pela saída da filha, Duda, papel de Maisa. "A questão aqui é trazer humor, com muito respeito, para um assunto sério - o desapego - na busca por um equilíbrio. A ideia é ser inclusivo. É rir junto e jamais rir de. É importante ser consciente. Ter a consciência do outro."

    Realizador de Ninguém Entra, Ninguém Sai e de Quem Vai Ficar Com Mário?, um dos filmes brasileiros mais vistos do ano (hoje na Amazon Prime), Hsu Chien, que nasceu em Taiwan e se radicou no Rio ainda criança, construiu a trama a partir de experiências pessoais com consumo desenfreado.

    "Quando eu soube que teria a Gloria no filme, fiquei muito contente pela chance de poder dirigir uma atriz que fala ao Brasil sobre o Brasil. Uma artista que injeta delicadeza nos gestos mais cotidianos", afirma Hsu. "E Maisa, que representa o frescor da nova geração, surpreendeu com a maturidade com que encarna uma filha preocupada com o descontrole da mãe. Aqui é uma comédia que trata de momentos dramáticos a sério, sem caricaturas. É uma narrativa calorosa, de contrastes."

    Produzido por Patrícia Chamon, Desapega! acompanha a reestruturação emotiva de Rita não apenas com a filha, mas com um novo amor, encarnado por Marcos Pasquim, em uma linha narrativa pontuada pelo riso. "Em momentos de crise, um respiro sempre é importante", observa Gloria. "A comédia é sempre um modo eficiente de compartilhar uma mensagem. E aqui, é de carinho, de maternidade, afeto."

    (Fuente: Tribunadonorte.com.br)


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